sábado, 1 de outubro de 2011

Relatório da III Conferência Estadual de Emprego e Trabalho Decente

Apresentação


A III Conferência Estadual de Emprego e Trabalho Decente aconteceu nos dias 22 e 23 de setembro em Salvador, na qual participaram cerca de 500 pessoas, representando segmentos de trabalhadores, as três instâncias dos poderes públicos, empregadores e organizações da sociedade civil do e no Estado da Bahia. Tais representações eram oriundas de 95 municípios do Estado.
A III Conferência se estruturou com as seguintes finalidades:
I - promover a discussão do tema emprego e trabalho decente;
II – subsidiar a formulação de propostas da Política Nacional de Trabalho Decente a partir das demandas do Estado da Bahia;
III – subsidiar a atualização do Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente e sua agenda de trabalho;
IV – discutir os avanços e resultados da Agenda Bahia do Trabalho Decente.


As referidas finalidades foram organizadas no contexto de quatro eixos temáticos, a saber: i) Princípios e Direitos; ii) Proteção Social; iii) Trabalho e Emprego; iv) Fortalecimento dos Atores Tripartites e do Diálogo Social como instrumento de governabilidade democrática.
Esses eixos foram desdobrados nos seguintes GTs responsáveis pelas discussões, debates e formulação de proposições:
I - Princípio e Direitos:
1 – Igualdade de oportunidades e de tratamento, especialmente para jovens e pessoas com deficiências.
2 – Igualdade de oportunidades e de tratamento, especialmente para mulheres, população negra e trabalhadores/as domésticos/as.
3 – Negociação Coletiva; Política de valorização do salário mínimo.
4 – Saúde e Segurança no Trabalho.
II - Proteção Social
5 – Prevenção e erradicação do trabalho infantil.
6 – Prevenção e erradicação do trabalho escravo, e do tráfico de pessoas; Migração para o Trabalho, Informalidade.
III - Trabalho e Emprego
7 – Políticas macroeconômicas e de investimento para a geração de mais e melhores empregos; Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda e educação profissional.
8 – Micro e pequenas empresas, empreenderorismo e Políticas Públicas de Microcréditos; Cooperativas, Empreendimentos de economia solidária.
9 – Emprego rural e agricultura familiar, Empresas sustentáveis; Empregos verdes e desenvolvimento territorial sustentável.
IV - Fortalecimento dos Atores Tripartites e do Diálogo Social como instrumento de governabilidade democrática
10 - Mecanismos e instâncias de Diálogo Social
Serviço Público


1. Dos Princípios e Direitos da Saúde e Segurança no Trabalho: desafios para o Observatório do Trabalho Decente/Digno e Responsabilidade Social.


No contexto do projeto de pesquisa Trabalho, Educação e Saúde: a experiência da Trabalhadores/as na Indústria da Construção Pesada e Montagens Industriais e a Agenda do Trabalho Decente na Bahia, muitos GTs abordaram temas ou subtemas que integram os objetivos da pesquisa. Contudo, a nossa participação se restringiu a participação do GT Saúde e Segurança no Trabalho referente ao eixo Direitos e Princípios.
As propostas que foram discutidas foram sistematizadas a partir das proposições formuladas nas 19 Conferências Territoriais. No âmbito do tema Saúde e Segurança no Trabalho, interessa-nos aqueles princípios e direitos que orientam a agenda, já que se constitui objetivo do nosso Projeto a criação de um Observatório do Trabalho Decente/Digno a partir da experiência dos/das trabalhadores/as representados/as pelo SINTEPAV.
O GT se estruturou a partir da construção de problemas/desafios, que fundamentariam a formulação das propostas. Nesse caso, as questões de direitos e deveres, bem como a desarticulação dos órgãos responsáveis pelas fiscalizações, realização de estudos e pesquisas, formação, sensibilização capazes de promover projetos, programas, ações, criar mecanismos e instrumentos legais de prevenção e promoção no campo da saúde e segurança no trabalho tiveram destaques no GT.
Para abrir os debates foram feitas algumas exposições destacando-se a apresentação do Dr. Fernando Vasconcelos médico e auditor fiscal da SRTE/BA, instância do Ministério do Trabalho, que trouxe dados e números indicativos do crescimento de adoecimento e de acidentes do e no trabalho no Pais, que mesmo a despeito do aumentos de autuações, embargos e interdições em auditorias fiscais de 2003-2010, precisa aumentar o número de fiscais no Brasil, já que houve a diminuição destes, devido as aposentadorias que aconteceram no período.
No âmbito do nosso estudo e pesquisa, a fala do referido auditor destaca a crescentes intervenções e fiscalizações, face às tragédias com perdas de vidas no setor da construção, em momento de expansão da nossa economia, que exige obras de infraestrutura para realização do crescimento econômico do Estado.
Uma segunda fala motivadora dos debates Sr. Barberino representante de trabalhadores, lembra que o estado da Bahia se constitui no primeiro estado a legalizar a Agenda/Programa do Trabalho Decente, seguido da província argentina de Santa Fé. Na sua exposição o palestrante deu ênfase ao fato de que os dados oficiais sobre doenças e acidentes do trabalho, mesmo da criação do Nexo Técnico Epidemiológico-NETEP que elevou para 30% os registros, ainda deixa de fora aproximadamente 70% de uma realidade assustadora, para a vida de quem- vive-do-trabalho, suas famílias, e mesmo, para os custos do Sistema Previdenciário Brasileiro. Alertou, ainda, para os impactos ambientais, “quando fizermos nossas escolhas de desenvolvimento e da qualidade dos empregos que se oferecem”, exigindo dos poderes públicos as contrapartidas, em prevenção de doenças e acidentes do trabalho, das empresas que tem acesso aos financiamentos públicos.
Ao finalizar sua fala, o Sr. Barberino, que também representava uma Central Sindical (CTB), fez uma proposta de política, na qual dever-se-ia criar mecanismos que viabilizassem o acesso e a transparência para que fosse possível o controle social dos dados que mostram as empresas que adoecem os/as trabalhadores/as.
Observando a metodologia e regimento aprovados em plenária, passou-se à análise de dois documentos: um primeiro, resultado da sistematização das propostas das conferências territoriais, e, o segundo denominado Pacto pela Vida proposta apresentada pelo Dr. Fernando e Sindicato da Construção Civil.


2. Problema/Desafio: construindo propostas em Saúde e Segurança do Trabalhador.


Problema/Desafio
Os graves problemas de Saúde e Segurança no Trabalho na Bahia e no Brasil exigem uma maior articulação entre órgãos governamentais, as entidades dos empregadores e as entidades dos trabalhadores, bem como a sociedade civil organizada como um todo, de modo a estabelecer um plano de ação que reduza drasticamente os acidentes e doenças do e no trabalho, garantindo a democratização do acesso às informações sobre saúde e segurança dos trabalhadores/as.


Essa foi a formulação do problema/desafio acordado pelos participantes do GT Saúde e Segurança do Trabalhador. A escolha por uma concepção mais geral deve-se ao entendimento, que se tratava da construção de princípios e direitos, cujas propostas deveriam materializar.
A partir da construção do referido desafio foram discutidas as 15 propostas sistematizadas nas conferências territoriais, que após debates e discussões foram ajustadas e ampliadas para 17 propostas.
Para efeito da nossa pesquisa, vale destacar que a primeira posta aprovada pelos/as delegados/as do GT foi:
Promover e fiscalizar as políticas públicas e privadas de combate ao Assédio Moral, físico e psíquico.
Nesse sentindo, a nossa participação na III Conferência Estadual de Emprego e Trabalho Decente contribuiu não apenas nos debates, mas forneceu-nos importantes subsídios na execução do nosso Projeto de pesquisa e na elaboração do Observatório do Trabalho Decente/Digno.


Petilda Serva Vazquez


Salvador, 26 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Amatra5 promove o XXI Congresso dos Magistrados Trabalhistas da Bahia

Acontece nos dias 1° e 2 de setembro, no Bahia Othon Palace Hotel, Ondina, o XXI Congresso dos Magistrados Trabalhistas da Bahia - Comat - Amatra5. Entre os temas debatidos esse ano, destaque para as questões de assédio moral nas relações de trabalho e trabalho escravo contemporâneo.

17h - Painel 1

Tema 1:
 Assédio Moral nas Relações de Trabalho.
Palestrante: Rodolfo Pamplona Filho – Juiz do Trabalho Titular da 1ª Vara do Trabalho de Salvador.

Tema 2:
 A Precarização das Condições de Trabalho.
Palestrante: Petilda Serva Vazquez – Professora da Unijorge.

Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 5ª Região.






segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Precarização do Trabalho e Assédio Moral

No dia 29 de agosto de 2011, fui convidada para ministrar palestra na Universidade Corporativa do Banco do Nordeste de Salvador na 1ª Semana Interna de Prevenção de Acidente de Trabalho-SIPAT 2011, promovida pela CIPA. A motivação dos/das funcionários/as da instituição sobre o tema do Assédio Moral revelou a necessidade da criação de grupo de estudos sobre o tema. Foi intensa a demanda por esclarecimentos e debates sobre o processo de trabalho bancário, ao tempo que a questão da saúde psíquica e o bem estar no ambiente de trabalho confirmam a necessidade de continuidade e aprofundamento sobre tais temas, considerados como âmbitos destacados nas preocupações referentes a Saúde e Segurança no Trabalho.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Autonomia das Mulheres



O desejável para todos os membros da sociedade é que o leque de opções de vida apresentado a cada pessoa se amplie; que cada um, independentemente de seu sexo, possa escolher as maneiras de se inserir na sociedade e no ambiente familiar.



Dessa forma, com a ruptura das tradicionais convenções de Gênero, homens e mulheres teriam, igualmente, liberdade de escolha e estariam em condições igualitárias tanto no mercado de trabalho quanto no ambiente doméstico, compartilhando os trabalhos...



  1. 1. Autonomia, caminho de quem realiza e se reconhece no mundo.


    A discussão sobre autonomia na história recente do Brasil, data das lutas dos movimentos sociais e sindicais como marcos pelo “fim da exploração”, ao tempo que se buscava novas referências, a partir da legitimidade de lutas por direitos, na pluralidade de vozes de diversos sujeitos sociais, que reclamavam reconhecimento, e que são conscientes da força de leis que oprimiam as suas demandas e impediam o exercício de cidadania. As mulheres, inequivocamente, se constituíram em protagonistas de todas essas lutas.

    Secularmente, as lutas das mulheres expressam o que mais recentemente convencionou-se chamar pessoa de referência, aquela que realiza a sua condição de sujeito político autônomo, no sentido etimológico do termo, auto nomos, ou seja, senhora da própria lei, que se responsabiliza, que dispõe de mecanismos de auto regulação, que constrói seu sistema ético, que entende seu lugar de construtora de mundo e não apenas a condição de alguém que deve ser suporte, lembrando os ensinamentos de grande educador Paulo Freire. Segundo suas palavras: Homens e mulheres são realização de mundo, intervem, criam e  transformam a natureza, ao tempo que se recriam e se transformam. Suportes são as árvores, as pedras e as montanhas [1].    

    Esse contexto da importância da mulher nos desígnios do Brasil se revela nos estudos e dados, que apontam para o aumento de proporção de unidades familiares chefiadas por mulheres no Brasil no período 2001-2009.


    [1] Paulo Freire in A Sombra desta Mangueira. Ed Olho D’Água. São Paulo. 1997.


    Segundo dados da PNADo percentual nesse intervalo de tempo subiu de aproximadamente 27% para 35%, o que, em termos absolutos representa 21.933.180 famílias que identificaram como principal responsável uma mulher em 2009 [2].

    As análises e estudos do IPEA, de que o potencial de autonomia que as mulheres têm assumido nas relações familiares e na esfera pública (,..) não está necessariamente relacionado a condições femininas favoráveis, podem ser tomados como referências privilegiadas para a construção de políticas públicas que alterem uma história de precariedade, (as)sujeitamento, vulnerabilidade impostas às mulheres em nosso País.

    O caráter político da presença da mulher nos programas, projetos e ações coloca a mulher no centro das decisões nos rumos do País, e de modelo de desenvolvimento, que culmine na sua participação no processo de consolidação de democracia social, de um Estado que se ergue no exercício do controle social sobre as ações, programas e projetos governamentais.

    Os meios para isso, certamente, constam de muitos dos programas e propostas de ações de políticas públicas, que necessitam da participação direta das mulheres nas suas concepções, execuções e resultados. O desenvolvimento propugnado no país da inclusão social, produtiva e de reformas políticas tem nas mulheres um universo de possibilidades, para não deixar nenhuma brasileira e nenhum brasileiro fora de um País Rico e Sem Miséria, como proposto por uma mulher, que o país reconheceu como arquiteta dessa nova construção de Brasil.

    A demanda por autonomia da mulher não significa que essa mulher passe a existir apenas em contextos de novas experiências materiais. Se assim fosse, estaríamos negando todas as vivências e realizações humanas, também protagonizadas historicamente pelas mulheres. Mas, a autonomia reclamada, ou anunciada contemporaneamente, é concebida como vivências nos âmbitos individual e coletivo, no sentido de autodeterminação e de auto realização, quando o agir propicia uma experiência de constituição de sujeito, mais livre e responsável pelo seu corpo e desejos.  




    [2] Comunicado do IPEA Nº 65. PNAD 2009 - Primeiras análises: Investigando a chefia feminina de família. 11 de novembro de 2010, p. 04.



    2. Qual o diálogo entre Autonomia e  Empoderamento?

    A comprovação de que nos novos arranjos familiares as mulheres aparecem como a nova “cabeça do casal”, altera o lugar simbólico da mulher. Mais uma vez as reflexões do IPEA contribuem expressivamente para a uma nova configuração social:

    O fato de uma mulher ser identificada como principal responsável num contexto em que é a única pessoa adulta da unidade familiar ou a única pessoa adulta não-idosa, por exemplo, dificilmente pode ser lido como sinal de transformação das convenções sociais ou de empoderamento feminino. Já o fato de uma mulher ser reconhecida como responsável pela família na presença de um cônjuge do sexo masculino pode ser considerado novo na sociedade brasileira. Nesse caso, o tradicional arranjo casal com filhos com um homem como “cabeça do casal” passa a ser substituído por situações em que a mulher é tida como a pessoa de referência na casa.

    Tal constatação exige mudanças que façam justiça ao reposicionamento da mulher nas dimensões econômica, politica e simbólica, de maneira que se firmem novos valores e de direitos das mulheres. Neste sentido, vale a lembrança, de que o trabalho de reprodução social, das atividades domésticas, tradicionalmente sob a responsabilidade das mulheres, se constitua em realização material desse trabalho.  

    As informações e os novos estudos ainda não mudaram comportamentos, juízos e vivências que impactam sobre a inserção social da mulher, especialmente com as profundas desigualdades ainda existentes entre as condições da vida no campo e na cidade e das desigualdades de classes, além dos preconceitos étnicos/raciais, que tanto contribuem para os grandes fossos sociais ainda presentes no País. 

    A consolidação de um Estado Social Democrático de Direito não poderá insistir no cultivo de uma cultura de herança patriarcal, conservadora, que não reconheça a autonomia da mulher como sujeito histórico, imbuída de demandas e de voz política capaz de expressar seus desejos, sonhos e de quem sabe realizá-los. 


    Salvador, 15 de agosto de 2011


    Petilda Serva Vazquez


    Coord. de Ações Temáticas da SPM,BA

    segunda-feira, 4 de julho de 2011

    Palestra em Santa Catarina

    Participei da Plenária Estadual de Comerciários em Florianópolis/SC, nos meses de junho e julho, que discutiu a precarização e a saúde do Trabalhador do Comércio no Estado. Estavam presentes lideranças de 26 sindicato catarinenses. Os desafios políticos da categoria foram amplamente tratados, inclusive as propostas de Reforma Política que estão mobilizando Centrais Sindicais. Estiveram presentes ainda parlamentares e dirigentes sindicais de outras categorias.


    sexta-feira, 5 de setembro de 2008

    Funcionários da Petrobrás denunciam assédio moral na empresa

    Paula Pitta, do A TARDE On Line

    Funcionários e representantes da Associação de Trabalhadores da
    Indústria de Petróleo e Gás (Aepetro) se reuniram, na manhã desta
    sexta-feira, 5, na frente da sede da Petrobras no Itaigara para
    denunciar práticas de assédio moral dentro da empresa.  No Ministério
    Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA), existem 18 queixas desse tipo
    de crime contra a Petrobras.

    O MPT preferiu não se pronunciar no momento sobre o caso, que está em
    fase de investigação. A Petrobras, por meio de sua assessoria de
    imprensa, informou que o departamento jurídico foi notificado sobre as
    denúncias e que todas as informações solicitadas pelo órgão foram
    fornecidas. Questionada sobre a veracidade das denúncias, a empresa,
    por meio da assessoria de imprensa, assegurou apenas que responderá ao
    MPT. 

    Casos – Uma das queixas sob investigação é a do geofísico Oscar Cezar
    Magalhães, que diz sofrer assédio moral desde 2007. Após criticar
    alguns procedimentos da empresa, Oscar contou que foi agredido
    verbalmente, transferido de setor sem treinamento, mal avaliado e
    excluído de promoções, além de ter as condições de trabalho pioradas.

    “No setor onde passei a atuar não existiam cadeiras, mesas e
    computadores adequados ao meu problema de coluna. Com isso, minha
    hérnia de disco foi agravada e precisei ser afastado. No outro
    departamento, contava com estrutura apropriada às minhas
    necessidades”, contou o funcionário, que passou a ter depressão após o
    episódio.

    O problema de Magalhães foi confirmado por avaliações psicológicas e
    da socióloga Petilda Vazquez, pesquisadora do Núcleo de Estudos
    Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim), da Ufba. “Através de
    entrevista, análises de documentos e e-mails trocados entre o
    funcionário e gestores da Petrobrás constatei que ele passou por
    práticas próprias do assédio moral, levando-o ao sofrimento e
    adoecimento”, disse Petilda.

    Segundo a socióloga, nem sempre o assédio moral é uma situação
    específica de uma chefia com um funcionário, podendo ser caracterizado
    como uma prática organizacional, uma cultura da empresa. “São
    instituições que trabalham com resultados, exigências em extremo. Não
    adianta ser bom, é preciso ser excelente. Quem não consegue apresentar
    resultados pode se sentir constrangido, não agüentar a pressão e ficar
    angustiado”, explicou.

    Conseqüência - De acordo com a socióloga, o assédio é fator de risco à
    saúde física e psíquica do trabalhador, podendo causar depressão,
    ansiedade e outros distúrbios mentais. Em casos mais graves pode, até
    mesmo, levar a pessoa a cometer suicídio. Levantamento da Organização
    Internacional do Trabalho (OIT) constatou que 10 a 15% dos suicídios
    na Suécia foram motivados por constrangimento e pressão sofridos no
    ambiente de trabalho.

    As mulheres são as principais vítimas, conforme informou a socióloga:
    “Cerca de 75% dos casos envolvem mulheres. Quando ficam grávidas,
    dizem para elas que engravidaram para tirar licença maternidade. Além
    disso, são rejeitadas em seleções porque têm filhos e ainda ouvem que
    sabem menos do que os homens”.

    Homossexuais, negros, idosos e evangélicos também costumam ser vítimas
    de assédios no trabalho. “Algumas religiões não permitem que o fiel
    trabalhe no fim de semana ou participe de comemorações típicas do
    catolicismo e, por isto, eles são preteridos”, diz.

    Denúncias já surtem efeito no Brasil

    Carine Aprile Iervese, do A TARDE

    Apesar de o medo de retaliações impedir que muitas vítimas denunciem a
    prática do assédio moral, alguns casos de condenações recentes de
    grandes empresas no Brasil demonstram que é possível punir os
    agressores.

    Na última quinta-feira, por exemplo, a indústria de bebidas Ambev
    entregou dois veículos  à Superintendência Regional do Trabalho no Rio
    Grande do Norte para uso em fiscalização.  A doação faz parte de
    indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 1 milhão, prevista
    no acordo extrajudicial firmado com o Ministério Público do Trabalho
    local em abril deste ano.

    No entanto, o caso não se relaciona com outras investigações sobre a
    Ambev ainda em andamento no País. Alguns processos narram episódios
    absurdos envolvendo rotinas de humilhação e até mesmo violência física
    impostas pelo empregador.

    Um funcionário da cervejaria em Sergipe, demitido em 2004, foi
    indenizado em R$ 70 mil por ter sido “premiado” com objetos no formato
    de excrementos humanos. Sua foto segurando o “presente” chegou a ser
    publicada num mural interno.

    No ano passado, a Ambev também foi condenada a indenizar em R$ 50 mil
    um ex-funcionário no Pará, obrigado pelo gerente a fazer flexões na
    presença dos colegas quando não alcançava desempenho satisfatório.

    Em 2006, a empresa já havia sido condenada, também no Rio Grande do
    Norte, a pagar R$ 1 milhão por punir empregados com castigos físicos e
    outras “prendas” como trabalhar fantasiado, assistir a reuniões em pé
    e dançar “na boquinha da garrafa”. A reportagem de A TARDE entrou em
    contato por e-mail e telefone com  a assessoria da Ambev, em São
    Paulo, para esclarecer os fatos, mas não obteve retorno.

    INDENIZAÇÕES – Os valores das indenizações variam de acordo com cada
    caso. “Os processos que abrangem danos coletivos têm valores muito
    maiores do que os casos individuais”, explica  Manoel Jorge e Silva
    Neto, procurador do Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA).

    A multa que a empresa agressora deve pagar também varia de acordo com
    a gravidade da transgressão. “Além disso, a indenização pode ser maior
    ou menor a depender da capacidade da empresa de pagar. Quanto mais
    condições ela tem de pagar, maior é o valor da indenização”, detalha o
    especialista.

    Silva Neto esclarece que os diretores e presidentes das grande
    empresas precisam ficar atentos para ações dos seus líderes. “O Código
    Civil estabelece que a responsabilidade por atos de assédio praticados
    por gerentes e outros superiores, dentro do domínio da organização, é
    da empresa, que responderá objetivamente pelo ato ilícito”, frisa.

    PROVAS – Para denunciar o assédio moral, o ideal é que a vítima
    recolha a maior quantidade de provas possível. “Eu defendo a
    possibilidade de a vítima gravar as suas conversas com a pessoa que o
    assedia, ainda que o assediador não tenha conhecimento que esta
    conversa esteja sendo gravada”, afirma o procurador.

    Segundo ele, esta prova não é ilícita, já que se tratou de um diálogo
    gravado por uma das partes e, posteriormente foi levada a juízo.  “Só
    é ilegal quando nenhuma das duas pessoas que estão conversando sabe
    que  esse diálogo foi gravado”, explica Silva Neto.

    ASSEDIADOR –Diferentes características de personalidade podem levar
    pessoas a praticar o assédio moral, como afirma o psiquiatra Marco
    Antonio Brasil, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria. “É
    difícil indicar apenas uma característica, mas podemos dizer que todas
    as pessoas que praticam o assédio moral têm aspectos em comum”.

    De acordo com o médico, os assediadores sofrem de transtorno de
    personalidade, do tipo anti-social. “Eles conseguem causar danos aos
    outros sem que para isso sinta qualquer ressentimento”, detalha ele.
    Os assediadores possuem também a capacidade de seduzir e manipular.

    Já as vítimas que ficam mais tempo “aprisionadas” a este tipo de
    assédio, segundo o médico, são aquelas que possuem auto-estima baixa.
    “As pessoas frágeis acreditam que não podem reagir, porque as
    conseqüências  seriam muito piores”, avalia.

    No entanto, o psiquiatra avisa que sempre existe uma luz no fim do
    túnel e que a pessoa, se estiver muito fragilizada, precisa procurar
    ajuda. “Seja religiosa, de amigos ou de um profissional”.

    "A sensação é a de que você trabalha com um inimigo"

    Carine Aprile Ierverse, do A TARDE

    Para aceitar contar à reportagem de A TARDE sobre o que aconteceu
    durante o período em que sofreu assédio moral, Lúcia (nome fictício)
    fez uma série de exigências. Além de não revelar a sua identidade, ela
    também omitiu a atividade que exercia e o nome da empresa onde o fato
    ocorreu. Tudo por receio de que o pesadelo que viveu voltasse a
    acontecer.

    Ela conta que seu antigo chefe usava critérios diferentes entre os
    funcionários. Lúcia sempre ficava com uma sobrecarga de trabalho muito
    maior em relação aos outros colegas do setor. “Meu chefe chegou a
    criar uma função de coordenação do setor, que nunca existiu, e
    ofereceu para um colega que tinha acabado de entrar na empresa. Sendo
    que eu já tinha muito tempo lá dentro e sempre resolvia muito mais
    coisas do que ele. Tudo era feito para me humilhar”, recorda.

    O assediador passa uma imagem de poder que, na realidade, não existe.
    “A situação é tão rotineira e reiterada que você acaba aumentando
    tudo. A pessoa se torna  maior e mais poderosa do que  realmente é”,
    afirma ela, já recuperada do trauma.

    Em determinada ocasião, Lúcia se ofereceu para organizar um evento da
    empresa, em um dia que  não afetaria em nada a sua jornada de trabalho
    normal. Mas o chefe implicou com a iniciativa e ameaçou demiti-la caso
    não desistisse da empreitada. Foi nesse dia que, após muitas
    perseguições, Lúcia passou mal. Com receio de ser demitida,  começou a
    chorar sem parar, sentiu as mãos formigarem, perdeu os sentidos e
    desmaiou. Só acordou no hospital.

    “A sensação é a de que eu estava trabalhando com um inimigo, que a
    qualquer momento faria algo para me prejudicar. Quando eu via um
    e-mail dele que não tinha título ou assunto, eu evitava abrir pela
    manhã, porque sabia que poderia ser uma coisa ruim e eu não
    conseguiria trabalhar o resto do dia”, lembra ela, que guardou todos
    os e-mails trocados com o antigo chefe, para servir como possíveis
    provas no futuro.

    Lúcia ainda pensou em denunciar o seu algoz, mas depois desistiu.
    Segundo ela, que foi transferida para outro Estado para se livrar do
    problema, a melhor coisa que o assediado deve fazer é compartilhar
    suas angústias com parentes e amigos, para agüentar o período
    turbulento.

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    O que você achou desta matéria?

    Jasmim (06/09/2008 - 11:06)

    Estou passando por este problema, tenho muito medo e não sei o que fazer.

    Wanderley Júnior (05/09/2008 - 19:17)

    Como Representante dos Empregados em Responsabilidade Social na
    PETROBRÁS fui perseguido a ponto de infartar dentro da empresa. Eles
    queriam que eu validasse a certificação em Responsabilidade Social
    mesmo com várias irregularidades. Hoje estou afastado por depressão,
    sou proibido de entrar na empresa e já fui colocado para fora com
    escolta armada por duas vezes quando tentei buscar ajuda médica na
    empresa.

    Oscar Cezar Ferreira Magalhães (05/09/2008 - 14:54)

    Como assediado pela Petrobrás, quero parabenizar a Paula Pitta pela
    matéria, a qual permitirá que a sociedade não só possa conhecer o que
    se passa na empresa, como também, discuta sobre o assédio moral, esta
    nova epidemia que assola aos trabalhadores. Oscar

    Edilene Farias (05/09/2008 - 14:42)

    Parabéns pela cobertura, esse malefício cruel já intitulado "o crime
    invisível" já me trasnformou em dependente de antidepressivos e
    ansiolíticos. Na Petrobras sou perseguida e descriminada como cachorro
    sarnento simplesmente por atuar criticamente às condições de Saúde e
    Segurança inadequadas que vitimam os trabalhadores. Hoje além da
    doença ocupacional adquirida na RLAM, acumulo doenças emocionais como
    depressão e firomialgia decorrentes de sofrimento imposto por
    gerentes. Mas tenho fé no MPT!

    Renato (05/09/2008 - 13:50)

    Assédio moral na petrobrás

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